quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Interrupção Voluntária da Estupidez

Pára tudo.

Celebra-se hoje o 20º post d’ O Filósofo Priapista. Este facto, aliado ao de caminharmos a passos largos para a visita número 2000 ao blog, pareceu-me fazer deste um momento de singular solenidade, propício à reflexão, pelo que hoje o assunto que aqui me traz não é estritamente filosófico como de costume. Hoje o assunto são vocês.

Desde que arranquei com isto que tenho recebido críticas mistas e, na generalidade dos casos, extremas, para o melhor ou o pior. Há gente que gosta, é um facto - o que não é de espantar quando consideramos que até há quem goste de levar na bilha -, mas a grande maioria dos livre-pensadores que me escreveram até agora fizeram-no com o objectivo de me darem a conhecer o facto de que sou, ao contrário do que se possa pensar, um desgraçado. Alguns puritanos ficaram mesmo de tal modo enfurecidos com o que leram aqui que perderam as estribeiras e quase desceram ao meu nível, acusando-me de ser um autêntico sacripanta que precisava era de lavar com sabão os dedos que uso para escrever estas barbaridades pretensamente filosóficas, como sempre faço depois de enfiá-los na ratola grisalha das suas mãezinhas, dando assim a conhecer às simpáticas senhoras o que é que Platão queria dizer exactamente quando falava na Alegria da Caverna. Seja como for desconfio que tanto no primeiro caso como no segundo, seria preciso muito mais do que sabão para me fazer sair o mau gosto das mãos.

O post anterior a este, por exemplo, tornou-me alvo de furiosas críticas por parte de vários seguidores fervorosos da saga Crepúsculo. Em abono da verdade, diga-se que isso só aconteceu porque me pus a expor doutrina directamente no maior site de fãs desta série em Portugal, mas isso é irrelevante para o caso. Como não podia deixar de ser, alguns clicaram no meu nome e foram encaminhados aqui para o blog, onde deram de caras com o post. Um jovem acusou-me de ser o indivíduo mais mal formado que alguma vez “conheceu”. Outro – um gajo que até era crítico da saga – usou-me em seu proveito, dizendo a todos no site que se achavam as suas críticas despropositadas deviam ler a minha, que descreveu como “estupidez dita por dizer”. Uma rapariga (essa deu-me pena) disse que não conseguiu acabar de ler porque começou a ficar mal-disposta. Esta sequência de comentários acabou por ser apagada do site e é bem possível que me tenham posto uma maldição em cima, pois aqueles à minha volta que mais amo têm desde esse dia sofrido horríveis perdas de colheitas no Farmville.

Pode pensar-se que não mas isto deu-me que pensar. Para já, fiquei verdadeiramente incomodado por descobrir que existem fãs masculinos do Crepúsculo. Não sabia. É tanto mais espantoso quanto os livros da saga têm a peculiar característica de serem dos poucos objectos no mundo cuja compra constitui acto mais paneleiro do que enfiá-los no cu. Quanto às críticas que me foram dirigidas, também me deram que pensar. E foi assim que ontem, após o chá das cinco com a minha tia e o leite das seis com a minha prima, cheguei a uma conclusão: têm todos razão.

Por esse motivo, existe agora uma outra paragem virtual para onde poderão ir se optarem pela via da interrupção voluntária da (minha) estupidez. Aí, se o desejarem, terão a possibilidade de expressar a vossa opinião negativa sobre as bardajices que aqui se têm escrito - e que nada indica que vão parar de ser escritas -, de modo totalmente livre, sem qualquer tipo de moderação ou censura.

Detractores, críticos, diáconos e diáconas, usem e abusem desse espaço. Foi criado só para vós. Para lá vos envio do fundo do coração.

É só clicar aqui.

11 comentários:

  1. Eu acho que é extremamente interessante que alguém se digne a ler-te e que despenda tempo a escrever algo a insultar-te, adoraria que me fizessem o mesmo. Se há coisinha que é triste é passar indiferente, seja no blogue, seja na vida pessoal. Sempre fui apologista da máxima: falem bem, falem mal mas falem. E desta também "ninguém chuta cachorro morto" (este é a minha irmã que diz, mas vais destruir-me esta idealização também :P).

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  2. Suspeito que andas com muito livre...

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  3. Falas a verdade, cara Brandie, se bem que a indiferença me seja também indiferente. O filósofo romano Séneca nas suas Cartas a Lucílio, por exemplo, referiu o caso de um antigo pensador grego a quem foi perguntado por que motivo escrevia coisas que tão pouca gente compreendia. A isto o sábio grego respondeu: "Basta que poucos leiam. Basta que um. Basta que nenhum." Eu, não sendo sábio nem grego, limito-me a mandar os críticos todos para a puta que os pariu mas o pensamento subjacente é o mesmo.

    E Voz, que júbilo em vê-lo nestas ordinárias paragens! Imagino que tenhas querido dizer que ando com muito "tempo" livre. Muito pelo contrário, ando até bastante ocupado com coisas de adulto. Simplesmente uso o tempo que o comum mortal considera livre para escrever aqui. Logo, não é livre.

    Contudo, o que dizer de quem vem cá ler o que escrevo no meu tempo ocupado apenas para me acusar de que tenho demasiado tempo livre?

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  4. não fossem os palavrões em catadupa... isto até seria uma espaço com que ocuparia mais tempo! mas fere-me o espírito católico!

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  5. Caro Anónimo, se este espaço se visse de súbito privado dos palavrões em catadupa, porque perderias tu o teu tempo a vir para aqui?...

    E não subestimes o palavrão como recurso literário. O linguajar ordinário permite sondar profundidades de estilo e temáticas que de outro modo seriam inalcançáveis. Especificamente, a augusta beleza do puro e simples mau gosto. Sim, puro e simples, porque ao contrário do dito "bom" gosto, é honesto.

    Falando nisso: cona.

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  6. perderia o meu tempo pela mesma razão que perdes o teu a gatafunhar os conteúdos que expões aqui, alguns verdadeiramente hilários não fosse a questão do estilo singrar num barroco-brejeiro quase insuportável.
    bem haja!

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  7. Não posso deixar de agradecer a tua opinião, caro anónimo, mas duvido muito que a minha escrita e a tua leitura destes gatafunhos tenham a mesma razão subjacente pelo facto de que a razão pela qual gatafunho e o estilo barroco-brejeiro (teria usado uma expressão mais ordinárias para descrevê-lo mas gostei dessa) estão interligados como duas vastas pintelheiras em filmes pornos de uma saudosa década que já não volta.

    Poderia escrever as mesmas coisas sem o palavreado? É bem possível que sim. Mas não quero. Porquê? Pensa nessa sensação que te levou a considerar o que escrevo "quase insuportável", e que leva muitos a omitir o quase. Chamemos-lhe o que quisermos, asco, nojo, repulsa, ou simples sobranceria moralóide. Essa sensação interessa-me.

    Não gosto de meta-discursos portanto digo só isto: se considerares o que lês aqui simplesmente como aquilo que é ("words, words, words", como dizia o Hamlet a Polonius) e deixares os juízos morais de parte, és capaz de sentir o tal inócuo guilty pleasure que faz com que outros menos católicos continuem a vir cá - e me faz continuar a escrever, quando não estou a bater à punheta.

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  8. Queria de facto dizer "tempo" livre. Mas não tive tempo para escrever tempo, e com isso acho que respondi à tua pergunta!
    Ah poizé...

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  9. admiro bastante a forma como tu questionas o teu mundo e procuras respostas, eu também sou assim é pena é haver pouca gente assim, visita o meu blog, vou visitar sempre os teus posts até vou mete-lo na minha página lá de lado, parabéns :)

    Abraço!

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  10. Este comentário foi removido pelo autor.

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